Acerca do Artur

updated December 26th 2019

Profissionalmente iniciou-se no jornal o Papagaio. Dedicou-se ao Teatro Amador, como actor e ensaiador. Em 1949 ingressou no Diário de Noticias e, em 1951, entrou no quadro do Cavaleiro Andante, onde planificou, desenhou e colaborou todas as edições desta revista. Colaborou também, como ILUSTRADOR em inúmeras outras publicações, como o Camarada, Fagulha, Estúdio, Almanaque do Diário de Noticias, Fungagá da Bicharada, Pisca-Pisca, Mundo de Aventuras, Diário da Manhã, Picapau, Almanaque de O Mosquito, Manchete, Popular de Joanesburgo, O Cágado, Propriedades, e muito mais..., tendo também ilustrado diversos livros escolares e vários jogos didáticos para a SEL.

Artur e o Futebol:
Adepto do Atletico Clube, jogou como Guarda-redes


O gosto de Artur Correia pelo desenho manifestou-se muito cedo, quando aos 5 anos, se entretinha a copiar as ilustrações do Amorim na "Coleção Manecas".
Durante a frequência do Curso Industrial escrevia e ilustrava para o jornal de parede "ALERTA". As suas primeiras ilustrações tiveram a particularidade de serem desenhadas sobre pedra litográfica, já que estava empregado numa litografia e desenhar sobre pedra servia de treino para mais tarde desenhar rótulos para as mais diversas utilizações.
Em Outubro de 1964, Marcello de Moraes convidou-o a fazer uma prova como intervalista de animação. Na altura, Marcello era animador-realizador numa produtora de filmes. Como deu "conta do recado" foi com armas e bagagens para a nova actividade.
Ricardo Neto surge a seu lado em Abril de 1965. Juntos criaram e planificaram algumas centenas de filmes publicitários. Do entendimento e sintonia de oito anos como trabalhadores por conta de outrém, conscientes do seu valor, atestado em mais de uma dezena de prémios internacionais (e nacionais), resolveram em Maio de 1973, formar o seu próprio estudio. A Topefilme.
O prémio do Festival de Annecy, o promeiro conquistado Internacionalmente por Portugal, foi decisivo para a formação da Topefilme.



Peças de Teatro
Artur Correia participou e escreveu várias Histórias para Teatro, inclusive de fantoches! Ele imitava uma voz muito caracteristica deste género de teatro para crianças. 
Várias vezes utilizava os seus dons para mudar de voz até em específicas necessidades de filmes publicitários.

Lembram-se do filme Diane 2 cavalos? Ele era a voz do miúdo que fazia pouco das pessoas na paragem de autocarro... e do papagaio em "Vamos Dormir" que dizia "boa noite"

Diario de Noticias:



Em 1965, iniciou a actividade de Realizador de filmes de Desenhos Animados, conquistando em 1967 o "Prémio do filme Publicitário" no Festival de Annecy.









Em 1973 fundou o seu próprio Estúdio, a Topefilme, dedicando-se a curtas metragens e realizando inúmeros filmes, como: A Família Pitucha, Eu quero a Lua (medalha de Ouro no Festival de curta metragem de Bilbao), O Caldo de Pedra, A Difeteria, Para bem fazer há muito que aprender, Hypertension, Bolinha e os 7 meninos maus, A casa feita de sonho, O mistério da serpente no jardim, Minha querida casa, A alegria inventada, O pic-nic, É Natal, É Natal, O Romance da Raposa (série de 13 episódios, de adaptação da obra de Aquilino Ribeiro)...

Publicou Álbuns de Banda Desenhada: A àgua que bebemos, Esta palavra Concelho, Este concelho de Oeiras, História dos cereais, O livro das fábulas, Branca de Neve e Preta de Carvão, O Convite do Gato das Botas, O Principe com orelhas de burro, O João mandrião, A Torre da Babilónia, A Machadinha, História do Compadre rico e do Compadre pobre, A bela menina, Era uma vez uma Águia, Era uma vez um Leão e Era uma vez um Dragão...
Publicou os Livros História Alegre de Portugal 1, sobre texto de Pinheiro Chagas (2002) e depois, em parceria com António G. de Almeida, com quem já tinha produzido O País dos Cágados (1989), Abcedário dos Inventos (1993), à roda do tacho (1994), O petisco em Portugal (2000) e História Alegre de Portugal 2 (2004). Com a mesma parceria, ilustrou os 2 volumes de Super-heróis de Portugal (2004 e 2005), seguindo-se o livro Nabos na Cozinha (2006).
Publicou ainda, individualmente, as adaptações para BD do Auto da Barca e do Inferno e da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, e em 2009 o Romance da Raposa de Aquilino Ribeiro (recomendado para o Plano Nacional de Leitura).
Todas estas obras estarão neste blog para vossa apreciação.
Artur Correia (filho)






Nasceu em Lisboa em 1932. Frequentou o Curso Industrial e colaborou em várias revistas infantis e Juvenis. Em 1965 inicia a actividade no campo do Desenho Animado tendo, em 1967, conquistado um prémio em veneza e o Prémio do Filme publicitário em Annecy. É distinguido também em Bilbau (medalha de ouro), Cannes, Hollywood, Argentina, Zagreb, Lucca e... Lisboa.
Dirige, em 1972, um dos filmes da série Jackson Five para os estúdios de Robert Balser em Barcelona. Em 1973 associa-se para fundar o seu estúdio de Animação, a Topefilme, onde, a par dos filmes publicitários sempre procurou incrementar o desenvolvimento da curta-metragem portuguesa para Cinema e Televisão.
Colaborou, sempre que solicitado, em programas de divulgação do Desenho Animado em Cineclubes de amadores, em exposições, nomeadamente em Aveiro, Almada, Amadora, Viseu e Moura e em escolas através de visitas de estudo.
Apresentou produções suas em Festivais internacionais como o Cinanima, Zagreb, Lucca, Annecy, Obberhausen e no Festival para a Infância e Juventude em Tomar.
Pertenceu ao Júri Internacional do Cinanima 82, fazendo ainda parte do juri de seleção do Cinanima.
Foi homenageado neste mesmo festival internacional nos anos de 1993 e 2004.
Realizou mais de 600 filmes publicitários, cerca de vinte e cinco curtas-metragens.














Dizia já Artur Correia em entrevistas:
- O gosto pelo desenho manifestou-se muito cedo quando, aos 5 anos, me entretinha a copiar as ilustrações do Amorim na Coleção Manecas. Só depois de as fazer, lia o livro...
No Curso industrial escrevia e ilustrava para o jornal de parede ALERTA da MP.




Condiscípulo que fui do Vitor Silva a ele devo o meu "fanzine" O Principe, feito em papel cavalinho e a duas cores. E ainda colaborei noutro "fanzine" impresso em copiógrafo, cuja receita extraímos das páginas do "Mosquito", jornal que muito marcou a minha geração. Foi o Vitor Silva quem me apresentou no "papagaio" onde Carlos Cascais era o chefe de redação.
As minhas primeiras ilustrações tiveram a particularidade de serem, desenhadas sobre pedra litográfica. Já me tinha empregado numa litografia e desenhar sobre a pedra servia de "recordo" que recebia 7$50 por ilustração (+- 4 centimos hoje..) e 20$00 por página inteira (10 centimos). As minhas duas primeiras histórias em quadradinhos chamaram-se "A Ilha dos Fantasmas" e "O Rancho Assombrado".

Foi o Vitor Silva quem me apresentou ao José Garcês de quem era vizinho e amigo. Sempre me entusiasmou o seu trabalho e a sua amizade. E por ele fui apresentado no "Camarada", ao tempo dirigido por por Couto Viana, onde tive a mais rica experiência, contactando com outros desenhadores como Marcello de Moraes, Sampayo, Vaz Pereira, etc.. Dessa experiência na MP ainda posso acrescentar outras actividades onde podia exprimir a minha capacidade: O Teatro de Fantoches e, ocasionalmente, O Teatro do Gerifalto. (o teatro sempre foi uma das minha actividades preferidas e que muito auxiliou a minha recente actividade). Do Camarada à Fagulha foi um salto rápido. Maria Alice Andrade Santos logo me aceitou.
Havia muita colaboração e excelentes contactos. Aprendia-se muito. Quanto à minha opção pela temática humorística, deve-se essencialmente à minha maior inclinação para esse campo. Adorava ler André Brun, Armando Ferreira, Fernandez Florez, Jardiel Poncela...
O humor sempre se adaptou melhor às minhas características. Se bem observar, reparará que A Seita da Cobra Verde não foge a um ritmo humorístico (até aparece uma personagem duma história de J. Garcês...)


Prestes a completar o meu terceiro ano como litógrafo, fui convidado a ingressar no Diário de Noticias onde litografava, em chapa de zinco, capas para a Coleção Policial e com as cores do Cavaleiro Andante. Aí em contacto com Adolfo Simões Muller, querido amigo que recordo com muita saudade, pulei para a redação e aí fazia os bonecos de que gostava e a paginação da revista (bem como colaborei em todas as edições do "C.A."). Ao mesmo tempo, fazia os meus cartoons para o Mundo Desportivo, anedotas para o Almanaque do Diário de Noticias e para a revista Estúdio, isto tudo a par do Camarada e da Fagulha... e mais tarde o Pisca-Pisca, Fungagá da Bicharada (onde, por defunção da revista, não cheguei a receber toda a minha colaboração...).
Em Outubro de 1964, Marcello de Moraes, convidou-me a fazer uma prova como intervalista de Animação. Marcello era, à altura, animador-realizador numa produtora de filmes. Como dei conta do recado, (e as edições do C.A. se encontravam ameaçadas de extinção, só produzíamos o Zorro e a Nau Catrineta) fui com armas e bagagem para a nova actividade, que ainda não abandonei, mau grado os tratos de polé que ela cofre neste país...
Ricardo Neto surge a meu lado em Abril de 1965. Juntos criámos, planificámos e realizámos algumas centenas de filmes publicitários. Do entendimento e sintonia de oito anos como trabalhadores por conta de outrem, conscientes do nosso valor, atestado em mais de uma dezena de prémios internacionais (e nacionais), resolvemos, em Maio de 1973, formar o nosso próprio estúdio. O prémio do Festival Internacional de Annecy, o primeiro conquistado internacionalmente por Portugal, foi decisivo para a formação da Topefilme.

clique na revista DN



Na Topefilme temos, como meio de sobrevivência, a publicidade. (o mesmo caminho seguiu o Servais Tiago). No entanto, o nosso sonho sempre foram as curtas metragens. Quatro filmes dos Contos Tradicionais Portugueses, mais dois para a Direção geral de Saúde, onze para a RTP e muitos projectos de séries de que concretizámos O Romance da Raposa.
Falta de iniciativa particular, o fechar de portas de quem devia apoiar a Animação portuguesa e outras factores, fizeram com que arquivássemos outras ideias. Agora só a Europa nos pode fazer movimentar. A escola que poderia ser a Animação portuguesa só se realizará com a colaboração com estúdios europeus.
O País dos Cágados foi uma experiência vivida com A. Gomes de Almeida. Em 1976 surgiu, sob sua direcção O cágado. Fui convidado a colaborar ilustrando o texto de A.G.A. No País dos Cágados. Na página 8 "O cágado" entregou a alma ao criador. Mais tarde, o jornal O Tempo encomendou uma página humorística a Gomes de Almeida. 
Aproveitámos para re-publicar as oito páginas já feitas e conseguimos acrescentar mais doze ao fim das quais, por dificuldades financeiras, O Tempo nos pôs a andar para trás.. Não desistimos e completámos um álbum, na esperança que algum editor lhe deitasse a mão. Fizeram-se vários contactos mas não havia nada a fazer.. Riam-se muito mas..Só que Gomes de Almeida não desistiu. E um belo dia chamou-me e mostrou-me a edição do autor. Coisa bonita que boa aceitação tem tido em festivais de BD onde aparece. António Gomes de Almeida, um bom amigo com quem comecei a trabalhar numa revista que dirigia, o Picapau.
Confiar que é possível o desenvolvimento das curtas-metragens e séries e Desenho Animado é o factor principal.
Agregado, e nos tempos livres, a execução de BD. Talvez a continuação das séries O País dos Cágados e Dom João e Cebolinha (caso o Luis Beira tenha tempo e paciência). Ilustrar os contos tradicionais portugueses de que se encontram completos, O principe com orelhas de burro e O João Mandrião. Além de jogos e passatempos para as crianças pois é para elas que trabalho e dedico meu tempo. Editoras SEL e PUBLICA.

A BD é o complemento indispensável aos meus filmes de animação. Já que estes são a minha principal actividade. Em qualquer delas, muito se aprende em cada dia que passa. São formas de leitura em que procuro uma cada vez maior identificação. Pena tenho que, hoje, tantos jovens com talento não possam ter, como alguns de nós os veteranos, as oportunidades que tivemos.
Penso mesmo que, desenvolvendo-se o Cinema de Animação, seja através da Europa ou não, que se possa aproveitar essa capacidade artística. A BD, tal como a vejo, combatida como está pelos meios audio-visuais, só poderá ser incentivada através dos fanzines, onde por vezes surgem páginas de autores consagrados e, por isso me permito um reparo: Peçam-nos sempre o nosso acordo para essa publicação. Não fica mal e mostra respeito!
A todos os Fanzines, a minha maior amizade e consideração.

BEJA - MOURA - VISEU - AVEIRO - ESPINHO - AMADORA - SEIXAL












 

 

 


consegue descobrir Artur Correia aqui? Ele está em duas fotos
Foi um anuncio para a firma REGISCONTA. TV, revista, flyers..






e a triste notícia que tantos chocou.. (ver aqui)


os restos mortais de Artur Correia estão em Sesimbra no cemitério
junto à família da esposa



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